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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Tecnologias da Informação: avanço ou mais um mecanismo de dominação?



As novas tecnologias da informação e comunicação (TICs) estão cada dia mais presentes em todos os setores da sociedade. Muitas vezes estas mudanças nos tomam de impacto, de forma que não chegamos a compreender o quer está acontecendo de verdade. Tenho me questionado se as novas tecnologias contribuem para a transformação da sociedade ou se elas impõem estas transformações?  O uso desta tecnologia melhora a vida das pessoas ou só de alguns? Será que é mesmo necessária tanta tecnologia para que sejamos felizes? Se por um lado as novas tecnologias proporcionam conforto, comodidade e bem estar social estes benefícios não atingem a todos. Apesar das tecnologias terem ganhando notoriedade no cenário da sociedade de consumo, elas ainda não se popularizaram pela falta de informação, disponibilidade financeira das classes sociais menos favorecidas economicamente e ainda por problemas de logística que impedem a chegada destas tecnologias a determinados locais como é o caso de certas regiões da zona do campo. Dados do IBGE divulgados esta semana informam que apenas 49% dos brasileiros tem acesso a informática, ou seja, mais da metade da nossa população, embora esteja vivendo os efeitos das TICs, ainda estão excluídos do acesso a esta tecnologia. E mesmo aqueles que tem acesso, nem sempre conseguem fazer o uso adequado deste recurso por falta de orientação, neste ponto entra o papel da escola que, no meu entender, deve servir para democratizar o uso das TICs, mostrando o uso da tecnologia, não como algo essencial para que se possa sobreviver na sociedade de consumo, mas sim como mais um instrumento na democratização das informações que irão permitir que todos possam ter as condições de participar das decisões em todas as áreas, no entanto para que possamos utilizá-la com esta finalidade devemos estar muito bem preparados, pois se o uso das TICs servir apenas para divulgar dados e informações estaremos na mesma condição do sistema tradicional de ensino, onde o aluno apenas recebe e reproduz  sem questionamentos.
Nas escolas o uso da TIC deve se dar a partir de novas posturas pedagógicas que venham  contribuir para construção de novos saberes por parte dos alunos e professores que resultem na melhoria da qualidade do ensino, para tanto é necessário superar algumas dificuldades como a estrutura precárias de muitas escolas, com a falta de laboratórios de informática ou, na existência destes a falta de manutenção dos equipamentos. Outro problema a ser enfrentado é a resistência de alguns profissionais da educação que ainda possuem aversão ao novo e por isso ainda utilizam práticas didáticas um pouco ultrapassadas, visto que muitos professores ainda sintetizam uma aula baseada na descrição e na memorização de conceitos, que são somente utilizados na prova escrita e depois esquecidos pelos alunos em sua vida prática, não os levando a pensar, refletir e agir, através da consciência crítica e de ações cidadãs que elevem a qualidade de vida da sociedade. Também temos que ter a consciência de que as tecnologias afetam as nossas vidas de uma maneira ou de outra, mas será que hoje em dia não é mais possível ensinar e aprender sem o uso destas tecnologias? Sabe-se que muitas escolas realizam trabalhos muito interessantes que tratam de temas como cidadania, ética, moral, solidariedade e outros com resultados muito positivos e sem nenhum uso de tecnologia, mas que irão servir para que os alunos, quando estiverem em contato com estas tecnologias possam utilizá-las de acordo com estes princípios, fazendo com que estas sejam um real instrumento de libertação e não mais uma forma de manter o indivíduo escravo da sociedade de consumo.

sábado, 14 de junho de 2014

Epa! Olha o respeito!





- Epa! Olha o respeito! Esta frase sempre era dita por meu pai quando a gente era pequeno e por ser contrariado ou por não concordar com atitudes do pai ou da mãe como: não deixar sair, não querer (ou não poder) comprar algo que a gente queria, reagíamos com algum palavrão. Esta frase do meu pai era o suficiente para que a gente morresse de vergonha e ela não precisava dizer ou fazer mais nada. É isso, meu pai me ensinou a ter respeito pelos outros. Estes fatos me vieram a lembrança porque a alguns dias fiz uma postagem numa rede social que acabou gerando uma discussão sobre respeito e numa das postagens foi dito que “...respeito a gente conquista .” A meu ver este conceito sobre o respeito está completamente equivocado. O respeito não é uma qualidade de quem é respeitado, mas sim uma atitude de quem respeita ou não,ou seja, se alguém é desrespeitado o problema não é ele, mas sim quem está desrespeitando. Além do mais, essa postura é tremendamente discriminatória, pois se eu vou escolher quem respeitar, conforme os meus critérios de merecimento, estarei eliminando os demais da possibilidade de terem o meu respeito. Outro fato acontecido esta semana também me fez pensar sobre esta questão, foi o comportamento de alguns torcedores que, diga-se de passagem, pagaram mais do que o salário de um professor para ver o jogo de abertura da copa do mundo e que passaram a ofenderem a Presidenta Dilma. A minha preocupação não é com a Dilma que, como sabemos, já sofreu as maiores humilhações nos porões da ditadura e mesmo assim chegou ao mais alto cargo do país, isso ela tira de letra por ser a mulher forte, guerreira e lutadora que haverá de conquistar todos os seus objetivos. O que me preocupa é o fato em si, certamente aqueles que gritaram palavras de baixo calão a presidenta devem ter filhos, netos, irmãos, sobrinhos... E o que eles estão ensinando a essas crianças? Que exemplo eles passaram em rede mundial para a juventude do planeta. Depois culpam os professores e as escolas de não darem educação, mas como concorrer com uma situação como esta. Quando não se respeita nem a maior autoridade do país. Não adianta a escola ensinar que devemos respeitar o colega, não responder mal aos professores e funcionários se em casa ou na TV os exemplos ensinam outra coisa. No caso da presidenta me sinto duplamente atingido, primeiro porque sendo ela representante do povo brasileiro, legitimada pelo voto da maioria, essa manifestação de desrespeito atinge a todos nós brasileiros, segundo porque se trata de um ato que fere a democracia brasileira  e como defensor da democracia repudio totalmente a atitude dos privilegiados que escolheram o momento e a forma errada de protestar, se é que eles tinham realmente motivos para protesto.

Ricardo Moreira
Professor e Especialista em Educação

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Piso Nacional dos Professores é constitucional


O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve nesta quarta-feira (6), por 8 votos a 1, a lei que criou o piso nacional de salário do professor, fixado em R$ 1.187,97 para este ano. A decisão considerou como piso a remuneração básica, sem acréscimos pagos de forma diversa pelos estados. Promulgada em 17 de julho de 2008, a norma estabelece que nenhum professor da rede pública pode receber menos que o piso nacional para uma carga horária de até 40 horas semanais. A lei do piso foi questionada por governadores de cinco estados entre eles o Rio Grande do Sul, na época governado por Yeda Crusius, que com esta decisão sofre mais uma derrota, depois de ter que deixar o governo do estado por não ter conseguido se reeleger. Dois pontos específicos da lei foram questionados na ação. A principal divergência estava no entendimento do piso como remuneração mínima. Grupos ligados a educação defendem que o valor estabelecido pela lei deve ser entendido como vencimento básico. As gratificações e outros extras não podem ser incorporados na conta do piso. A decisão dos ministros do STF seguiu esse entendimento, considerando improcedente a ação. Os proponentes da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) queriam que o termo piso fosse interpretado como remuneração mínima, incluindo os benefícios.  A confirmação da lei pelo STF é uma vitória dos trabalhadores da educação e da sociedade, pois finalmente começa a tornar possível  o discurso   de valorização dos professores como forma de melhorar a qualidade da educação. O outro ponto da lei questionado pela ADI foi a regra de que um terço da carga horária do professor deverá ser reservada para atividades extraclasse como planejamento de aula e atualização. Esse ponto ficou pendente devendo ser retomada na próxima semana. Para quem lida com educação este é outro ponto da lei essencial para um bom trabalho de educação, todos sabem que os professores necessitam de muito tempo para preparar aulas, se atualizarem, corrigir provas, reunirem-se com pais e mães, é bastante justo que este trabalho esteja incluído na sua carga horária de trabalho. Esperamos que os senhores ministros tenham também esta sensibilidade e aprovem também este aspecto da lei.